Concurso para o Masterplan da Orla do Lago Paranoá
O Lago Paranoá compõe o patrimônio ambiental e urbanístico de Brasília. A sua presença na paisagem da cidade e seu entorno relacionam-se às três escalas territoriais previstas por Lúcio Costa durante a concepção do Plano Piloto de Brasília: a macrorregião, os setores urbanos e o local.
O cenário bucólico do extenso espelho d’água e dos amplos espaços livres situados em sua orla contribuem para a formação da identidade de Brasília e dos povoados ao seu redor. O Lago Paranoá, além disso, opera e viabiliza os chamados processos e serviços ambientais da Natureza tão necessários para a manutenção da vida humana e silvestre.
Diante da ocupação ilegal das áreas de proteção e preservação das margens do Lago Paranoá, bem como dos impactos negativos gerados ao longo de décadas de interferências mal planejadas e privatizantes, a sociedade civil organizada e as autoridades constituídas reagiram e resolveram determinar a reversão desses processos e desajustes. A partir da mobilização social iniciou-se um profundo debate e tomada de decisões sobre o futuro desse importante patrimônio ambiental, culminando neste concurso para formular um ‘Masterplan’ que oriente os usos e a ocupação humana ali desenvolvidos.
OS DESAFIOS DO MASTERPLAN
Um dos problemas é como superar os entraves e barreiras ao acesso e mobilidade da população em relação ao lago, ocasionado por diversos fatores que impedem a utilização do espelho d’água e suas margens de forma democrática e adequada. Chegar até as margens do lago e usufruir desses locais é um estorvo atualmente, a intensa e ilegal urbanização ocorrida ali representa um problema ainda mais sério a longo prazo. Além da privatização do espaço público, as interferências causadas pela falta de regulação e fiscalização dos interesses particulares têm sistematicamente alterado aquela fisionomia original e bucólica idealizada no Plano Piloto.
Os extensos campos e maciços vegetais originais foram reduzidos a um mosaico de espaços e manchas de vegetação remanescentes de escala reduzida e desconectados entre si. Os parques e áreas de conservação criados ao longo da orla do lago nas últimas décadas, isolados dessa forma, conformam hoje uma totalidade fragmentada e incapaz de propiciar refúgio seguro à flora e fauna nativas. Pese o razoável número dessas unidades existentes, elas podem ser acrescidas de aproximadamente 270 hectares resultantes apenas da aplicação da legislação atual de APP no perímetro do lago. Esses espaços contínuos e adequadamente vegetados podem tanto acolher novos usos e atividades como criar corredores de biodiversidade ativos na recomposição do equilíbrio ecológico regional.
Nesse sentido, a nosso ver o ‘Masterplan’ deve ser o suficientemente aberto e flexível para poder ser interpretado e assumido pelos diferentes atores sociais interessados nele. O usufruto do Lago Paranoá por todos e não só por alguns privilegiados é uma pauta complexa com componentes políticos, legais, técnicos e estéticos. O sucesso dessa empreitada depende tanto da qualidade das propostas arquitetônicas e paisagísticas para a construção de infraestruturas apropriadas como da ativação de novas ideias e práticas sociais que permitam reaprender e educar as pessoas para uma nova relação com a Natureza e sua manutenção ao longo do tempo. Só desse modo entendemos que será possível consagrar a natureza pública desses espaços. Ou seja, para nós a gestão desses projetos é tão importante quanto seu planejamento e desenho.
Nome: Plano Urbanístico de Ocupação – Masterplan da Orla do Lago Paranoá – Brasília/DF
Cliente: Governo do Distrito Federal
Local: Distrito Federal
Ano: 2018
Status: Concurso
Área: 66,2 hectares
Equipe: Fábio Domingos Batista, Igor Spanger, Luciano Suski, Moacir Zancopé Junior, Paulo Chiesa, Suzanna de Geus, Aline Train, Rodolfo Scuiciato, Janaína Nichele,


