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Edifício Residencial – Samambaia

 

O EDIFÍCIO DEVE REFLETIR A CIDADE, ASSIM COMO A CIDADE DEVE REFLETIR O EDIFÍCIO.

 

Em locais com urbanidades tradicionais, onde a massa construída se caracteriza como modeladora do espaço urbano, é conferindo à edificação uma certa discrição. Já em locais onde predominam espaços vazios, se exige da arquitetura um papel protagonista, que nem sempre é desejado.

Os terrenos disponíveis para implantação das Unidades Habitacionais Coletivas em Samambaia não possuem as delimitações convencionais do urbanismo tradicional brasileiro, materializado por lotes justapostos conformando quadras e delimitados por ruas. Sua configuração urbana possibilita um desenho mais fluido com áreas públicas de transição entre o lote e a rua e também entre os lotes. Estas áreas, que podem ser entendidas como semi-públicas, servem com uma espécie de amortecimento entre o privado (o lote) e o público (a rua) ao mesmo tempo que possibilitam a leitura quase que total do edifício de vários pontos de vista, conferindo a proposta arquitetônica um papel de destaque no entorno imediato formado por edificações unifamiliares de baixa altura.

A partir desta leitura entre a relação entre o lote e a cidade buscou-se um bom entendimento do espaço urbano de entorno de modo a evitar propostas arquitetônicas com protagonismo exagerado.

A relação urbana do edifício proposto se materializa através de delimitações como divisas, caminhos que o conectam à malha viária, à escala frente às edificações vizinhas e à proporção, entendida como a relação entre suas dimensões principais.  Dentre todas as variáveis colocadas para o exercício do projeto, grande parte foi definida previamente, seja na dimensão e posição do lote no tecido urbano, nos condicionantes econômicos ou no programa de necessidades.

Nesse cenário de aparente definição prévia, feita por meios textuais, da arquitetura, o projeto se torna uma espécie de tangram, onde todas as peças são previamente definidas podendo resultar em inúmeras configurações.

A proposta apresentada buscou uma implantação que teve como objetivo qualificar paisagística e urbanisticamente seu entorno imediato e possibilitando, em condições tão exíguas como a apresentada, uma integração através do edifício de pontos da malha urbana, ou seja, a edificação também contempla a integração no pavimento térreo entre os limites do público e do privado. No lote sugerido | QR 503 CJ 9-A LT 04 | esta permeabilidade possibilitou a conexão entre as duas vias confrontantes, a 2ª Avenida Sul e a Rua 4, possibilitando aos moradores o acesso ao imóvel pelas duas vias.

O acesso de pedestres ao edifício ocorre no eixo de conexão entre as duas vias e o de veículos no espaço lateral. O estacionamento atende ao estipulado na legislação de um veículo por unidade e ocupa parte do pavimento térreo e um subsolo.

Os pavimentos superiores são oito (subsolo + térreo + 8 pavimentos), com seis unidades por andar, totalizando 48 unidades.

A massa construída foi deslocada para as extremidades do lote, considerando o recuo necessário ao atendimento da legislação urbana, além da reserva de área necessária para prover a permeabilidade ao lote. O resultado foi a materialização de dois volumes paralelos emoldurando internamente um espaço vazio e ao mesmo tempo delimitando o espaço privativo do edifício de habitação coletiva. A circulação horizontal e vertical é realizada no vazio interno, através de varandas com sombreamento desejado, de forma a estimular a relação de vizinhança, evitando a impessoalidade de corredores lineares escuros. Buscou-se também a relação entre as varandas e o vazio central, onde ocorre a integração comunitária dos moradores.

A edificação se destaca na paisagem devido a sua altura e ao seu porte, previstos na legislação. Ela apresenta uma arquitetura elaborada com a utilização de elementos simples e materiais convencionais, além disso possui sobriedade e discrição desejada a um edifício habitacional. Estruturalmente foi utilizado um sistema convencional de concreto armado apoiado por pilares e vigas no subsolo e no térreo, e nos pavimentos tipo utilizou-se bloco estrutural.

É um edifício adequado, que surge naturalmente, logicamente e poeticamente de todas as suas condições (Louis Sullivan)


Nome Edifícios de Uso Misto – Samambaia


Cliente Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal- CODHAB-DF


Local Samambaia, DF


Ano 2016


Status Concurso


Área 4.572,30,00m²


Equipe Fábio Domingos Batista, Igor Costa Spanger, Luciano Suski, Moacir Zancopé Junior, Suzanna de Geus, Karin Luciana Klassen, Aline Proença Train, Simone R. N. Born e Rodolfo Luís Scuiciato